quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A Flor na Redoma

- Mas como estava lhe dizendo, Augusto, foi um sonho muito muito real, mas que talvez, ou certamente, você irá achar um tanto sem sentido, embora eu não canse de repassar mentalmente aquela visão. Sem imaginar como, estava eu num jardim, em todos os aspectos, celestial. Uma forte luz enchia todo o ambiente, eu não sabia onde era o fim ou o começo daquele lugar, embora não estivesse perdido de forma alguma. O tempo não corria de forma regular, o que não é novidade, já que tudo que beira o especial parece passar de forma diferente, não acha? Senti com meus pés um solo pedregoso, olhei para o chão e vi que era composto de centenas de milhares de pedrinhas de brilhantes, lapidadas de tal forma que me tontearam com a luz que irradiavam. Ergui os olhos e eis que no centro do jardim havia uma flor e sobre a flor uma redoma de vidro. Não posso descrevê-la, se é que me entende... Digo, por mais que eu tente, não sou capaz de descrever esta flor agora. Eu sei que me ficou a impressão de nunca ter visto uma flor como aquela. Sabe quando a gente vê algo que espelha a perfeição de Deus, não porque seja perfeito, mas porque releva-se os defeitos que você certamente algum dia conhecerá? Então, como se estivesse num certo tipo de transe, eu me aproximei da flor e da redoma. Eu queria o perfume. Estiquei o braço em direção à flor, mas na hora que ia tirar a redoma, Ele me disse: espera! Eu olhei para o lado, e não era Ele, mas ele falava em nome dEle. É meio difícil de explicar... Então parei minha mão no ar. Sentei no chão e fiquei a contemplar a flor, esta flor que nunca vi igual. É muito estranho, sabe? Eu estava ansioso, mas ao mesmo tempo calmo. Parece que Ele estava preparando alguma coisa para me dizer, e eu sabia que uma hora ele ia me dizer: agora! Então descansei por uma eternidade e não foi por muito tempo, por causa do valor daquela flor. Aí, de repente, comecei a ouvir a melodia de um canarinho. Abri os olhos, tava um sol bonito, despertei. E quando o sonho ia se esconder de vez dos meus pensamentos, fiz força para trazer à consciência todos os detalhes do sonho, do jardim e da flor. E foi isso que te contei o que restou. Augusto, por que você fica só concordando comigo e não fala nada? Augusto! Augusto? (Será que estou sonhando?)